Estudo recente da revista
Fortune mostra que os principais executivos das
500 maiores empresas norte-americanas já
investem aproximadamente 80% de seu tempo em
Comunicação. Esse percentual envolve atividades
que vão da leitura de correspondências e
clippings, atendimento de telefonemas, a
encontros com acionistas, jornalistas,
autoridades e clientes. O mais interessante desse
estudo é a percepção de que a comunicação
empresarial deixa de ser responsabilidade de uma
área de especialistas - jornalistas, relações
públicas e publicitários - para se tornar uma
atribuição estratégica permanente e
administrada por quem tem o leme de uma
organização.
Mas
não foi sempre assim. No início do século, o
presidente da DuPont, Irving Shapiro, teria
afirmado que "é possível sair-se bem nos
negócios, seguindo-se quatro regras: ater-se aos
negócios, ficar fora de encrencas, associar-se
aos clubes certos e não conversar com
repórteres". Essa postura das empresas, de
impermeabilização em relação à sociedade,
cuja origem pode ser creditada ao modelo de
produção taylorista, começou a mudar na
década de 60, com suas inúmeras
transformações políticas e econômicas. A
partir daí, a administração assume o que se
convencionou chamar de Escola de Gestão, na qual
a comunicação, por razões macro e
microeconômicas, passa a ser condição sine qua
non para o sucesso dos negócios.
Frank
Corrado, ao comentar estilos de comunicação de
presidentes de empresas norte-americanas, mostrou
que a atuação de Jamnes Burke, principal
executivo da Johnson & Johnson, foi
fundamental para salvar a marca Tylenol, em 1982,
depois que o produto contaminado criminosamente
envenenou uma série de consumidores. Enquanto,
em 1989, a atuação fraca de Lawrence Raws,
executivo principal da Exxon Corporation, ao
lidar com o desastre do Valdez, comprometeu a
entrada da indústria do petróleo no Ártico.
A
sociedade "lê" e avalia as empresas e
seus administradores por quesitos como suas
presenças físicas, seus modelos de gestão,
estruturas organizacionais, seus recursos
humanos, políticas e relações com inúmeros
públicos. Não é difícil avaliar, por exemplo,
como a sociedade brasileira encarou, num momento
de forte reestruturação produtiva e
democrática, a forma pela qual a Ford brasileira
pretendeu demitir 2,7 mil empregados, no final do
ano passado. Ou, ainda, em tempos de apertos nos
budgets empresariais, os exemplos de austeridade
que inúmeras empresas sediadas em São Paulo
dão aos empregados, fornecedores e acionistas ao
transferirem seus centros administrativos de
locais imponentes para perto dos seus
"chãos-de-fábrica".
As
empresas modernas são veículos de comunicação
(mídias) em si mesmas. Seus prédios, o
comportamento e o estilo de seus executivos e
colaboradores, suas políticas, tudo se
transformou em poderosos emissores de sinais
positivos ou negativos. Na década de 80, era
comum presidentes e diretores de empresas
passarem por mídias trainings. Atualmente, essa
necessidade continua presente, só que ampliada
para toda a organização, inclusive para suas
instalações físicas. Foi o que concluíram em
São Paulo os empregados da Coral, que, ao
posicionarem seu negócio no segmento de beleza,
descobriram ser necessário pintar máquinas,
tubulações e paredes de uma fábrica
envelhecida e feia.
Hoje,
a comunicação empresarial não pode mais ser
encarada pelos gestores empresariais apenas como
uma ferramenta técnica, meramente tática, mas
como uma ferramenta estratégica, permanente.
Nesse
contexto, cabe ainda a frase de Neném Prancha,
carioca imortal citado pelo jornalista João
Saldanha, que dizia que o pênalti é tão
importante que deveria ser batido pelo presidente
do clube. A comparação é válida: a
comunicação empresarial é, hoje, tão
fundamental que o envolvimento dos principais
gestores de uma empresa em seu management
transformou-se em vantagem competitiva.
*Paulo
Nassar, jornalista, escritor e diretor-executivo
da ABERJE.
Artigo
publicado:
Dia 6 de maio/99 - Gazeta Mercantil
Dia 19 de maio/99 - Diário do Comércio
A REBELIÃO DOS TÍMIDOS
Especialistas ensinam a
superar o temor de falar em público e a
vencer inibições no trabalho e na vida
social
|
Os tempos estão
ruins para os tímidos, a começar pelo
trabalho. As empresas esperam que cada
funcionário seja um vendedor de idéias
desinibido. E querem que ele participe de
tarefas em grupo se possível que
as lidere. Na escola, o acanhamento
também leva a pior. Pela moderna
cartilha pedagógica, os estudantes devem
fazer apresentações públicas de seus
trabalhos e discutir as contribuições
dos colegas. Na vida social, é a velha
história. A todo o momento, a turma sai
para um chope, há festas em que se deve
parecer alegre e expansivo. Há ainda o
desafio de conquistar aqueles espécimes
aparentemente inatingíveis do sexo
oposto. É, a vida pode ser dura para a
pessoa que se preocupa demais com a
opinião dos outros. Veja um inibido no
momento do suplício, quando ele precisa
falar em público ou está tentando
insinuar-se numa paquera. Que tragédia.
As mãos suam e o coração dispara. O
rosto se ruboriza, as pernas ficam
trêmulas e o estômago se contrai. Fica
mais visível a dificuldade da vítima em
manter contato visual prolongado com os
outros. "O tímido é alguém que se
sente ameaçado, desconfortável e tenso
em situações que são agradáveis para
as demais pessoas", define com
precisão o psicólogo francês
Christophe André, autor do livro O medo
dos Outros.A melhor notícia é que
nunca houve tanto alívio à
disposição. A timidez, antes
considerada uma característica pessoal
tão imutável quanto a cor dos olhos,
hoje é vista como um distúrbio que nos
casos mais incômodos precisa e
pode ser tratada. Segundo os
especialistas, se a pessoa se sente
incomodada pela timidez ela deve procurar
ajuda, mesmo porque pode ser ajudada.
Pelas estatísticas, é grande o número
de candidatos ao socorro especializado.
Informa a genética que 20% das pessoas
nascem tímidas. A medicina sabe também
que da legião de inibidos cerca de 2%
vão desenvolver ao longo da vida a forma
aguda da timidez chamada fobia social.
Isso é outra coisa bem diferente. É uma
doença tratada com drogas
antidepressivas e cujos sintomas são
constrangedores, a ponto de os pacientes
não conseguirem assinar um cheque na
frente do caixa do banco e se sentirem
tão acuados que perdem a voz diante de
um motorista de taxi.
A maioria
dos tímidos, obviamente, não é doente.
São apenas pessoas ansiosas que têm
mais dificuldade e menos vontade de se
expressar do que os extrovertidos.
"São pessoas normais que, de certa
forma, vão levando a vida social aos
trancos e barrancos, esquivando-se dos
vizinhos, evitando festas e limitando o
contato com os amigos ao mínimo
possível", diz Lynne Henderson,
psicólogas da Clínica de Tímidos de
Palo Alto, na Califórnia. "Para
elas também existem soluções simples
que dispensam até mesmo o acompanhamento
profissional." Henderson sugere que
os tímidos tentem contrarias sua
natureza, expor-se mais e principalmente,
parar de pensar que estão sendo
observados. "As outras pessoas não
são juizes implacáveis de seus atos,
suas roupas e palavras" , diz a
psicóloga. " Pense que nem todas as
mulheres são princesas do convívio
social e que o mais seguro dos homens
pode escorregar." Os especialistas
sustentam que a timidez é um distúrbio
cuja solução está ao alcance da
pessoas, e tudo que é preciso fazer é
dar o primeiro passo, admitindo o
desconforto. A timidez seria, do ponto de
vista médico, como uma unha encravada.
Ou seja, um problema escondido, doloroso,
de solução simples mas que, as vezes,
pode ser paralisante.
"O
tímido que fazer uma coisa, sabe fazer,
mas não consegue", afirma o
psicólogo americano Philip Zimbardo,
autor do livro "Timidez, o que É e
o Que Fazer". Vai a festas e tem um
bom estoque de coisas para conversar
até o momento em que se vê no
meio de um grupo. Na sala de aula, tem a
resposta certa para a pergunta do
professor, está louco para mostrar que
sabe mas sua sabedoria se esfuma diante
da decisão de levantar a mão.
"Este é o tímido. Ele é contido
por uma voz interior que diz cuidado,
você vai fazer um papelão, os outros
vão rir de você. Será muito melhor se
você não for visto nem ouvido",
diz Zimbardo. O drama do tímido nunca é
a falta de armas para enfrentar os
embates da vida. É apenas a falta de
coragem no momento de apresentar suas
armas. Pelo que se descobriu recentemente
sobre a inibição, vale a pena buscar
ajuda. O tímido vive perdendo, de
oportunidades a dinheiro. Pesquisas
revelam que eles ganham, em média, 10%
menos que a média dos assalariados que
não são prejudicados pela inibição.
Sabe-se ainda que os tímidos evoluem
mais vagarosamente na carreira, são
menos instruídos e têm até mais
tendência a sofrer de alergias.
Em termos
profissionais, a inibição se manifesta
como um intruso disposto a incomodar
antes mesmo do primeiro registro na
carteira de trabalho. O sintoma mais
precoce e freqüente e o mais
fácil de ser controlado por meio de
treinamento é o medo de falar em
público. Enfrentar uma platéia é o
grande desafio para os tímidos, dos
brandos aos crônicos. "As empresas
querem cada vez mais profissionais que,
além de Ter boas formação, sejam
também autoconfiantes, animados e
positivos", diz Thomas Case,
presidente do Grupo Catho, empresa de
recrutamento e seleção de executivos.
Além de ser competente, o candidato deve
Ter boas idéias e ser articulado para
apresentá-las. Com a ajuda de vídeos,
Case treina seus candidatos para a
entrevista de recrutamento. "Um
truque simples é não desviar o olhar
dos olhos do entrevistador", ensina.
"Raramente uma pessoa tem uma
Segunda chance de causar boa
impressão." A psicóloga paulista
Alice Carrozzo também se especializou em
atender profissionais que enfrentam
problemas no ambiente de trabalho por
causa da retração. Alice trabalha tanto
a mente como o corpo de seus acanhados.
"O tímido costuma olhar para o
chão, apresenta-se todo curvado e a voz
sai trêmula. Ensino-os a olhar para
cima, a falar com voz firma e a manter o
corpo ereto."
Pessoas
que perdem ótimas oportunidades
profissionais por causa da timidez
sentem-se ainda mais culpadas. A
secretária paulista Neusa Maria santos,
37 anos, por exemplo, formou-se em
geografia, ma sentiu durante um estágio
que seria incapaz de dar aulas. "eu
ficava perturbada, com a sensação de
que os estudante não estavam me levando
a sério" , conta. Depois dessa
experiência, abandonou a carreira. Há
cinco anos, porém, recebeu um convite
irrecusável para trabalhar num dos
melhores colégios de São Paulo. Depois
de enfrentar os primeiros dias da rotina
do novo trabalho, ela pensou seriamente
em desistir. ""Não conseguia
abrir a boca nas reuniões e saía da
sala com os joelhos machucados, de tanto
bater um contra o outro debaixo da
mesa", lembra. "Era uma
angústia terrível, pois eu me sentia
capaz de exercer a função, mas estava
perdendo espaço por cauda da
timidez". Aos poucos, Neusa
encontrou uma forma de resolver o
conflito. Começou a anotar numa agenda
os pontos que precisava abordar nas
reuniões e passou a fazer alguma
pequenas intervenções. Ao sentir que
suas idéias eram bem recebidas, ganhou
confiança. "Eu ainda fico vermelha
e com as mão geladas nesses encontros,
mas respiro fundo e quebro o
bloqueio."
Nas
últimas duas décadas, período em que a
timidez passou as ser considerada um
distúrbio tratável, surgiram os
especialistas em inibição. É um
mercado com suas peculiaridades. Na
Clínica do Amor e Timidez, criada no
começo do ano em São Paulo, o grupo de
oito psicólogos responsáveis pelo
empreendimento ainda não concluiu se
vale ou não a pena colocar um luminoso
anunciando os serviços na fachada do
local. "Estamos em dúvida se isso
pode espantar clientes muito
tímidos", diz Sérgio André.
Segundo, um dos profissionais da
clínica. A forma de atuação da equipe
é bastante curiosa. Uma parte importante
da terapia são os chamados
"trabalhos de campo". É o nome
que se dá a tarefas externas executadas
pelos pacientes para ajudar no processo
de recuperação da auto-estima. Um dos
procedimentos comuns, por exemplo,
consiste em fazer com que a pessoa com
dificuldade em iniciar um relacionamento
amoroso enfrente o problema. Para não
provocar choques, o trabalho é feito em
etapas. Primeiro, um paciente recebe a
tarefa de pedir na rua uma simples
informação a uma mulher. Na etapa
seguinte, ele deve tentar manter uma
conversa de alguns minutos com uma
desconhecida. O teste final é abordar
uma garota num bar. "Não é um
treinamento para transforma ninguém em
um Dom-juan", explica Sérgio André
Segundo. "Fazemos isso apenas para
os pacientes perceberem que não é o fim
do mundo ouvir um não como
resposta."
Apesar de
conviver desde a infância com um
problema de timidez crônica, o
empresário André Carlos Amaral, 55
anos, um dos clientes da clínica, só
resolveu procurar ajuda recentemente,
quando colocou o ponto final num
casamento de vinte anos. "Sempre fui
covarde para encarar o problema, mas
resolvi enfrentá-lo porque estava com
medo de ficar sozinho." O primeiro
passo foi entrar para um curso de teatro.
Estreou nos palcos no ano passado,
fazendo o papel de inspetor numa peça
com enredo policial. Não foi fácil.
Antes da primeira fala, ele começou a
sentir sonolência e dor de cabeça.
"eu fiquei tão nervoso que desmaiei
e só recobrei a consciência no final,
ouvindo os aplausos da platéia",
conta. A prática teatral controlou sua
inibição para falar em público. Mas
não funcionou fazê-lo perder a timidez
em outras áreas. Ele continua com
problemas no campo afetivo. Foi
exatamente por essa razão que André
resolveu recorrer à terapia. "Sou
até assediado pelas mulheres, ma não
aproveito", afirma. "Fico
apenas conversando, conversando..."
Esconder-se
atrás de um disfarce foi a saída para
outra inibida, a atriz carioca Denise
Fraga, 34 anos. Ela aprendeu a dissimular
a timidez com as personagens que
representa. Denise fica com as bochechas
e orelhas vermelhas quando tem de ser
Denise. "Acho que meus colegas de
escola não acreditaram quando me tornei
atriz, porque eu entrava muda e saía
calada da classe", diz. "Tinha
dificuldade em ouvir minha própria
voz." A profissão obviamente ajudou
Denise a se soltar, ma ainda assim ela
diz "morrer de vergonha" quando
é reconhecida por fãs na rua.
"Tenho vontade de abrir um buraco no
chão e entrar", confessa.
"Não consigo dizer nenhuma palavra
além de obrigada."
Muito se
aprendeu sobre a anatomia da timidez
nesses vinte anos em que ela vem sendo
estudada. Antes, os psicólogos faziam
uma salada geral nessa área. Não se
sabia distinguir o que era timidez de um
teia de sintomas muito parecidos, como
nervosismo, introversão, insegurança e
mesmo covardia. Timidez não é nada
disso. Com a palavra a literatura:
"Os tímidos raramente são grandes
pecadores. Eles sempre deixam a sociedade
em paz", escreveu o escritor
polonês Isaac Bashevis Singer, ganhador
do Nobel de Literatura de 1978. Grande
parte da timidez que cada um carrega vem
do berço. A Hereditariedade tem um papel
nesse campo. Pais tímidos geram filhos
tímidos. Mas crianças tímidas nem
sempre se transformam em adultos
inibidos. Um estudo do psicólogo Jerome
Kagan, da Universidade Havard, mostrou
que 70% das crianças com alto grau de
timidez superam o problema antes de
atingir os 7 anos com ou sem temperamento
mais tranqüilo e submisso.
Os
tratamentos funcionam. O gaúcho Gustavo
Terra Lanzetta, de 9 anos, nunca se
esquece do dia em que entrou na escola de
teatro. De tanta vergonha, apareceu na
sala de aula se agarrando nas pernas da
mãe, que o matriculou ali para ajudá-lo
a tentar vencer a timidez. "Não
queria ficar sozinho de jeito
nenhum", diz ele. O mesmo acontecia
na escola, onde preferia ficar isolado
nos cantos a puxar papo com os colegas.
Hoje, um ano e meio depois da matrícula
na Casa do Teatro, dirigida pela atriz
Lígia Cortez, em São Paulo, Gustavo
está bem mais à vontade. No fim do ano
passado, conseguiu uma proeza. Subiu ao
palco e representou um garoto tímido,
assim como ele na vida real. Depois do
sucesso com a platéia, ganhou coragem
suficiente para declarar-se
"apaixonado" por uma colega de
classe.
Os
tratamentos para timidez, todos muito
eficientes, variam de acordo com a
gravidade dos sintomas. Para as fobias os
médicos passaram a receitar uma
cápsula, o Aropax ou o Luvox.
Tradicionalmente a psicanálise é uma
opção para quem não busca resultados
imediatos e quer sondar os mistérios da
mente. Para a maioria dos casos, a
psicoterapia é ainda a saída mais
buscada. Ao longo de seis meses de
sessões, garantem os especialistas, é
possível fazer com que a pessoa consiga
controlar seus bloqueios. "Quando
está interessado em alguém, o tímido
tende a supervalorizar as qualidades da
outra pessoa e menosprezar as suas",
afirma o psicólogo Ailton Amélio Silva,
especialista em relacionamento amoroso. A
psicoterapia o ensina a encarar com maior
realismo e enxergar os defeitos do outro
e, assim, facilitar a abordagem. Nos
casos mais brando bastam alguma regras
básicas de auto-ajuda, como respirar
fundo, relaxar e aprender técnicas de
meditação que ajudem a limpar a mente
de pensamentos negativos. A timidez
situacional, aquela que se refere a uma
situação específica, como falar em
público, quase sempre se resolve com
treinamento especializado.
"Não
se deve tratar uma criança apenas porque
ela é mais reservada", opina
Márcio Bernik, do Instituto de
Psiquiatria da Universidade de São
Paulo. Bernik aconselha a qualquer
tímido procurar auxílio profissional
somente quando o rendimento na escola cai
a níveis incompatíveis ou no momento em
que o desempenho profissional é
prejudicado de maneira irremediável
ou se o convício social se torna
um fardo insuportável. Os especialistas
recomendam aos pais que estejam mais
atentos aos filhos tímidos na
adolescência. Isso porque, segundo as
estatísticas, é entre os 15 e 18 anos
que a timidez crônica controlável pode
mais facilmente transformar-se em fobia
social aquela doença que exige
tratamento com remédio. A adolescência
é sempre um período de maior
instabilidade, em que as fragilidades
afloram.
Por ser ,
em geral, alunos bem- comportados, Ter
bom rendimento, que não se destacam nem
para o bem nem para o mal, os tímidos
costumam ser ignorados pelos professores.
São raras as escolas com estrutura
especial de atendimento aos tímidos.
" É mais fácil impor limites do
que criar espaços", diz Luciana
Fevorini, orientadora pedagógica no
Colégio Equipe de São Paulo. Os
tímidos sabem disso melhor do que
ninguém.
|
Dia 21 de maio/99 - Diário Popular
O movimento dos sem
voz
|
Para a maioria das pessoas,
falar em público é a mais intimidante
da situações. Numa famosa pesquisa
americana alguns entrevistados disseram
temer mais o desafio de fazer um
discurso, dar uma palestra ou defender o
ponto de vista numa reunião de trabalho
do que a própria morte. O exagero ajuda
a ilustrar o pânico que muita gente tem
de ser o centro das atenções. Os
psicólogos conhecem bem o que se passa
na cabeça de quem não é do ramo e se
vê forcado pelas circunstâncias a
enfrentar o microfone. "A platéia
parece mais ameaçadora do que realmente
é. Bem na sua frente se sentará o chefe
e logo ao lado colega que está puxando
seu tapete", descreve o economista
paulista Reinaldo Polito, 48 anos, que se
especializou em treinar pessoas para esse
momento torturante. Continua Polito:
"A voz tende a baixar de volume,
todo ruído soa como provocação dos
ouvintes e paira o risco de dar um branco
a qualquer momento". Autor do livro
"Como Falar Corretamente e Sem
Inibições", com 65 edições e
300.000 exemplares vendidos, Polito em 24
anos de cursos transformou milhares de
ex-tímidos em oradores bastante
razoáveis.O primeiro desafio do
especialista em transformar inibidos em
comunicadores é teórico. Ele procura
convencer o futuro conferencista de que o
nervosismo nessa situação é comum a
quase todo mundo. Só uma minoria de
pessoas, cerca de 7% segundo os
especialistas, nasce pronta para o palco.
É gente com o magnetismo de Silvio
Santos, a memória e o desembaraço de
Fidel Castro ou o carisma e a clareza de
um lendário orador, o primeiro-ministro
inglês Winston Churchill. "Para a
maioria dos mortais a saída é uma só:
Treino, treino e treino", ensina
Polito.
Antes de
procurar ajuda profissional, ele sugere
tentar algumas técnicas simples, como
ler antes pelo menos dez vezes o texto
que se vai falar. Em seguida, ajuda muito
repeti-lo na frente dos parentes, gravar
o próprio desempenho em vídeo e
continuar o exercício até achar que o
resultado está aceitável. É
fundamental também saber em detalhes
como será a apresentação, a duração,
o local, o tipo de público e se haverá
uma sessão de perguntas e respostas no
final. A idéia é reduzir ao máximo as
surpresas, pois o novo sempre provoca
ansiedade. "Quando estiver ao
microfone, lembre-se de que é
preferível gesticular pouco a
exagerar" , arremata o especialista.
Se depois de tudo o futuro orador ainda
achar que vai tremer, Polito ensina um
truque: "Cole as folhas do discurso
numa cartão rígido, em vez de em papel
comum. A tremedeira será menos
notada".
Em
recente resposta ao e-mail
enviado à Paulo Nassar, o autor
de
"A
COMUNICAÇÃO DA PEQUENA
EMPRESA" e "O QUEM É
COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL",
faz
comentários acerca de seu
trabalho.
|
E-mail
solicitando os seus comentários
Subject: Re:
Pesquisa escolar - Livro tema -
"O que é comunicação
empresarial"
Date: Wed, 21 Apr 1999 22:09:19
+0000
From: pnassar@u-netsys.com.br
(pnassar)
To: adenauer@visualbyte.com.br
>São Paulo, 15 de abril de
1999.
>
>Prof. Paulo Nassar,
>
> O livro de sua autoria,
juntamente com o Prof. Rubens
Figueiredo "O QUE É
COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL"
vem sendo tema de estudos por
parte de alunos do 1.o. ano de
administração da UNIBAN.
Estimulados pela Prof. Dinaura,
nosso grupo de trabalho foi
indicado para fazer-lhe o
questionamento abaixo. A sua
contribuição será decisiva
para a evolução de nossos
conhecimentos sobre este assunto.
Desta forma, em nome dos
integrantes deste grupo de
trabalho, agradeço desde já a
atenção dispensada ao nosso
pedido.
QUESTÃO
Frente as notícias empresariais
de hoje estabeleça paralelismo
entre MUITO ALÉM DO
LUCRO (pág. 9) e estas.
Atenciosamente
Adenauer Rocha Gonçalves
Administração
de Empresas - UNIBAN / RG adenauer@visualbyte.com.br
Prezado
Adenauer,
Pense nos casos
da Schering ( as das pílulas de
farinha)e da Telefônica de
Espanha. Elas são empresas
competentes nos seus mercados e
com produtos/serviços
reconhecidos mundialmente. No
Brasil, a Schering por não saber
manejar a sua Comunicação em
função de uma crise comprometeu
as suas metas de faturamento,
colocando em risco a sua
operação no Brasil. A
Telefônica é um caso em que a
empresa não soube usar as
inúmeras ferramentas de
comunicação, atualmente à
disposição das organizações
(por exemplo, as Relações
Públicas, Assessoria de
Imprensa, Lobby,...). Ela fez, no
primeiro momento, uma opção
pela Publicidade. Entrando em
nosso país de forma arrogante,
cheia de superpoderes, expondo a
sua marca sem avaliar a demanda
por mais telefones, por melhor
atendimento,etc. E até a grande
expectativa de melhora imediata
dos serviços telefônicos.....E
por isso, e por muitos outros
exemplos, que estão diariamente
nos jornais, que as empresas
precisam fazer uma comunicação
empresarial abrangente,
"total", muito além
das ferramentas históricas da
comunicação de marketing (a
Publicidade e a Promoção). Se
você puder, dê uma olhada em
artigos meus, que estão no site http://www.aberje.com.br
Click na estação Clipping.
Espero ter te
ajudado.
Um grande abraço,
Paulo Nassar.
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